De longe, bem de longe, eu enxergava um menino na areia. Ele me parecia tão meigo, tão feliz. Naquele momento, o que parecia mais importante para ele, era o fato de que tudo pudesse ser feito, tudo aquilo que ele imaginava, fosse um castelo cheio de pessoas comemorando alguma coisa ou apenas um castelo na areia. Era tão simples, mas ao mesmo tempo tão mágico.
Eu queria poder observar melhor, olhar nos olhos daquela criança e ver o que se passavam por eles. Queria vê-lo sorrir bem de perto, escutar ao menos o som da doce risada infantil. Mas não podia, estava a quilômetros do menino, que se mostrava muito feliz.
O que se passa pela cabeça das crianças? Eu já passei por isso, todos já passaram, mas alguem se lembra de algo? Elas sorriem mesmo quando tem que chorar. Elas colocam magia em tudo aquilo que é simples. Transformam o complicado em diversão. Deixam seus sorrisos por onde passam. Deixam um ar de bem estar, quando nos olham, com aqueles olhinhos de pessoas inocentes.
Quando me dei conta, o menino olhava para mim, com um rosto fechado, sem fazer nenhum tipo de gesto. Por alguns segundos continuei a encarar, não estava entendendo o que exatamente eu havia causado naquele momento, para que assim, aquele sorriso e aquela magia toda acabasse. Voltei ao mundo, quando percebi que estava perdida no olhar de uma criança. Pensei comigo, ele podia estar pensando exatamente a mesma coisa que eu, mas ao contrário. Como seria ser um adolescente, é chato? é tolo? é cansativo? Mas uma criança para pra pensar neste tipo de coisa? Não tive respostas para as minhas perguntas, fiquei calada e voltei a observá-lo, vi que ele havia voltado a seus movimentos, mas agora, já não fazia mais um castelo na areia.. apenas corria de um lado para o outro, como se fosse chegar a algum lugar quando parasse.
A criança nunca morre, continua em cada um, alguns a apagam de si e negam que por dentro ainda tem o ar mágico que tinha aos cinco anos. Outros levam a vida com este ar, brincalhão, sorridente e centrado.
A magia nunca morre, só é esquecida por alguns. Aprendi isto, quando aquele menino, de cabelos castanhos e olhos de mel, passou a me encarar novamente.